novembro 21, 2009

olha, mais do que nunca eu te digo: acho que estou mesmo apaixonado por você e que não consigo pensar em outra coisa senão você e que eu estava esperando me sentir desse modo – nas núvens, para ser mais preciso e mais brega – para lhe dizer isso e dizer que só me vejo nos seus braços. só sei que eu quero te amar mais ainda do que hoje e não sei como, mas sei que preciso encontrar você, e preciso viver isso ainda mais. e sinto uma vontade enorme de escrever porque só quando estou assim é que eu quero escrever, e o motivo eu não sei, mas a paixão de escrever está intimamente ligada ao amor, mas agora eu só consigo dizer que te amo e que as palavras não se encaixam nas minhas cabeças muito bem. e eu não sei se você vai me achar leviano por te dizer tudo isto agora, logo após essas nossas horas juntos e de tantos beijos e de tanta vontade de dizer que te amo te amo te amo e não entendo por que na hora eu não digo, porque não fiquei e tive que ir embora, porque no caminho eu quis dizer que te amo e não consegui dizer. agora eu tenho que escrever tudo isso por aqui, quando podia ter voltado para casa muito depois – depois de te ter ainda mais nos meus braços. quero você, e agora esse desejo é infinito.

Fumaça

novembro 19, 2009

E então eu vi que vocês dois faziam carinhos e não consegui não ver tudo vermelho, e não é que os meus olhos pegassem fogo, como diz aquela música cujo nome não me lembro agora, é que tudo queimava por dentro e antes fosse azia, antes fosse o excesso de álcool ou, sei lá, uma ilusão, uma fantasia inventada por alguém enquanto eu estivesse louco, louco, louco.

Mas o fato era que todo o mundo percebeu que a minha loucura naquele instante era você. Me imaginei de repente esmurrando-o, mas não, não, eu não sou assim. Queria bater em alguém, não importava quem, mas não quis chamar atenção. E como se toda a raiva se revertesse em tristeza, de tal forma que me abatesse e me fizesse virar de costas e querer sair a pé pelas ruas da cidade, no meio da chuva da madrugada, e parar em um botequim qualquer para chorar as mágoas com desconhecidos, eu quis chorar.

E como se todos aqueles olhos estivessem, por mais bêbado que eu estivesse, me fuzilando, com aquele ar de preocupação e completa absurdez, simplesmente desviei as vistas e pedi um cigarro. Ao diabo com a minha saúde, ao diabo com a vida, essa escrota sem coração, essa que não respeita as paixões. Ao diabo com essa história toda de se apaixonar. Nos desenhos que a fumaça formava no ar eu via meu coração desintegrado sumir, e via um vício renascer. Ao diabo com todos os vícios. Se eu fumei, a culpa era sua, ingrata.

Não, não. Você não tem mesmo nada a ver com todos os meus vícios e a vontade que me vem de estar chapado quando penso em você. Eu sou um tolo que nunca aprende que não há mulher que mereça essa confiança gratuita, esse amor roxo trouxa que nasce desmedido e suga qualquer pensamento coerente. Pergunto à fumaça que agora me rodeia o que fiz para merecer isto, para ser assim, tão imbecil. Ela some e reaparece e some…

Queria que o amor fosse como essa fumaça. E que a cada trago fosse saciado e renovado, e depois sumisse, quando não mais necessário. Um amor assim tão fugaz serve de alguma coisa? Pergunto novamente à fumaça: ela é mais sábia que eu.

Para além das próprias palavras

setembro 28, 2009

E um dia desses eu vi, claro como a lua teimosa no céu, o quanto as coisas que eu escrevo adquirem, tempos depois, um sentido renovado e especial. Houve um dia em que vi minha alma de romântico sofrido através dos olhos de uma garota e por isso escrevi. Mas não estava tomado por nenhuma paixão. Estava como que obcecado pelo eu apaixonado, e o saudosismo me fazia lembrar quem eu remotamente e em parte fui e quem eu poderia ser. Hoje estou puro saudosismo de novo, mas de um saudosismo recente, que não chega nem a doer. Ainda, eu acho. Quando me vir sem chão dentro de alguns dias, vou saber o que é viver desgostoso de novo, o que é procurar como forma de escape um copo qualquer, qualquer coisa que me distraia de minha vida, em particular (mas não exatamente do mundo).

Qualquer coisa que me distraia desse ideal terrível de amar, dessa dor da incompletude e de um abandono após algumas longas noites. Qualquer coisa que me faça esquecer da esperança que aquele texto expressa e que hoje me acomete, novamente, e me faz perder a noite em elocubrações endereçadas a uma certa garota. “Não se afaste de mim, nunca fuja de mim…”

Mas, sim, é tudo mentira, simples desvario. A solidão ecoa no calor do poente, de onde escrevo, de onde sei que não há saída e nem há janela para você.

Excerto do meu diário

setembro 17, 2009

Antes de me tornar quem eu sou…

“(…) Eu queria ser um pouco como Vinícius de Moraes. É. Os amigos, a boemia… não, eu nunca vou ser assim. Nunca convencerei ninguém a sair de madrugada para ouvir o que tenho a dizer, mesmo porque eu quase nunca tenho algo a dizer. Acho bonito quando tem gente que diz que eu filosofo, falo coisas interessantes… talvez seja efeito da bebida. É, a bebida desperta um outro eu, em certa medida, mais alegre, mais interessante, e me faz acreditar que aquele momento de fato está sendo como eu queria que ele fosse, que nada deveria estar diferente. A bebida me torna satisfeito comigo mesmo, coisa que eu não sou. Tenho um pouco de medo dela. Se eu tivesse quem bebesse comigo vários dias na semana, nem que fosse um copinho, uma lata, coisa assim, beberia. São vários os dias em que me pego pensando que poderia estar tomando uma cerveja, relacionando subrepticiamente a sensação de felicidade que ela me traz… E tudo isso é tão patético. Tão inútil e triste. (…)”

Agosto, 2004.

agosto 30, 2009

Amanhã é domingo, meu bem. Você nem vai se lembrar de mim. Estou aqui sonhando contigo, você: meu abrigo. Penso em tudo do mundo e me inebrio, tenho vontade de me embriagar, de a cada passo encontrar você e me perder nas ruas desertas, ficar contigo, mil desejos.
São nessas horas que eu penso no quanto eu sou desprezível. Na minha companhia, só as putas. Nada de amores. Nada de nada. Você poderia me perguntar, meu bem, o que tem demais em ser uma puta? Você, mesmo puta, me acolheu quando eu mais precisei. Me deu carinho, amor e cerveja, quando nenhum lugar mais me aceitava. Quando até a calçada olhava para mim e desviava. Eu te amo, mesmo que você seja puta. Mas não quero você para mim. O mundo precisa muito do seu amor e você nem vai se lembrar de mim, acredite. Você tem um mundo a seus pés, as calçadas, as ruas, as esquinas, todas a te saudar e amar infinitamente.
As calçadas me são hostis. Os donos dos bares me enxotam, me dizem coisas horríveis e eu, atordoado, não sei o que dizer. Meu sonho é que você estivesse no meu sonho: fosse minha e nada mais, enquanto cascatas ressoassem ao fundo e eu me reencontrasse comigo, através de você, naquele momento que duraria para sempre. O tempo, nos sonhos – eu poderia controlá-lo e viveríamos para sempre em um lugar com flores bonitas para eu nunca ver você partir.
Para na manhã seguinte eu não acordar sozinho. Para ter mil flores a te esperar sempre, mesmo que eu esteja mais para lá do que para cá. Você sabe que eu te quero muito bem e que nosso encontro é coisa séria, é tão bom para você quanto para mim. Então não demore, venha me ver nas calçadas dos meus sonhos, nas calcinhas nos varais das casas em que passo, nos romances dos casais das ruas podres, cá estou eu sof…

agosto 8, 2009

Na cor dos seus olhos eu vejo uma espécie de salvação, como uma calma pós-chuva torrencial. Lado avesso do circuito infinito, massacre dos meus sentimentos, eu te vejo perto e sei que você não vai me ver. Você está tão perto e parece estar acima, na segurança de quem sabe bem o que e quem quer da vida – o que, posso afirmar, não me inclui.

Pelo menos agora não. E certo de que seus olhos provocantes não me dizem nenhuma verdade, me entrego aos teus desalinhos, aos seus mistérios e vias tortuosas. A seu prazer de viver. Sinto o hálito doce misturado com álcool e então fecho meus olhos. Um dia, ah, um dia, há de ser minha. De olhos fechados, é claro.

É o seguinte:

agosto 7, 2009

Vou escrever pouco para não desvirtuar o esquema que eu pretendo para esse blogue! A idéia aqui é ser o diário de um bêbado. Só vai ter textos de quando eu estiver bêbado, principalmente bêbado-bosta. Se eu vou conseguir fazer isso, só o futuro dirá.

É isso, vou-me embora porque eu não tô bêbado. Heh.

Hello world!

agosto 7, 2009

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